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A Sagrada Família de Nazaré, berço da história da salvação!
Estimados Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo, o mês de maio é muito querido por nós por ser rico de significados religiosos. Primeiramente, por ser tempo, bem como os demais meses, de graça que nosso bom Deus nos concede, depois, um mês dedicado a Nossa Senhora, mês dedicado às mães, mês dedicado às noivas, (por que não dedicado aos noivos também?). Iniciamos maio com São José Operário, padroeiro dos trabalhadores e trabalhadoras, tanto pela sua honrosa profissão da qual tirou o sustento para a sua Sagrada Família, mas também assumiu em caráter de vocação e serviço os seus papéis de esposo e de pai, e terminamos o mês de maio com Nossa Senhora visitando e colocando-se a serviço de sua parenta Santa Isabel. Do ponto de vista social, um mês dedicado à Abolição da Escravatura, pois Deus nos criou a todos para a liberdade e para a fraternidade.
Essas grandes motivações para celebrarmos o mês de maio se enriquecem ainda mais com a grande celebração do Ano Josefino, dedicado ao nosso querido São José, o Esposo da Virgem Maria, pelo jubileu de seus 150 anos como Patrono da Igreja. Com razões suficientes São José fora escolhido e proclamado “Patrono da Igreja”, dada a sua sublime vocação de esposo da Virgem Maria e pai de coração amabilíssimo de Jesus Cristo. Ele que sempre amparou e protegeu Jesus Cristo, desde a gestação até a vida adulta, continua acompanhando e protegendo a Igreja de seu amado Filho, como afirma o Papa Pio IX, em 08 de dezembro de 1870: “Deus constituiu São José Senhor e Príncipe de sua casa e o elegeu guarda dos seus tesouros preciosos”. Nessa mesma sintonia o Papa João Paulo II, em 15 de agosto de 1989, lança Redemptoris Custos, sobre a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja: “São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo.” Notemos que, embora esses documentos pontifícios tenham como foco a figura de São José, no entanto, foram lançados não em festas josefinas, mas em duas grandes solenidades marianas; entendemos a tamanha complementaridade entre as duas figuras importantíssimas no plano da salvação humana. Deus, em sua infinita sabedoria, quis trazer a salvação humana por intermédio da família. Escolheu e dotou de graças Maria de Nazaré para gerar o seu Filho, por intermédio do Espírito Santo, e também escolheu e dotou de graças José de Nazaré com Coração de Esposo e de Pai.

Deus quis um lar estruturado para o seu Filho nascer e crescer em todos os sentidos positivos, para isso Ele dotou de dons especiais os pais, Maria e José, que abraçaram as graças recebidas.

Para que a família se desenvolva estruturada requer um conjunto de valores e exigências que oportunizem a interação, saúde e felicidade de seus membros. Dentre os valores estruturais da família está a definição de seus papéis sociais, ou seja, qual o papel de esposo? De pai? De esposa? De mãe? De filho? De irmãos? É necessário que cada membro assuma o seu papel e respeite os demais, não se pondo no lugar do outro, mas se interagindo de modo que flua uma espontânea relação de ajuda entre os membros, pois cada papel se firma e se desenvolve diante de outros papéis.

Essa dinâmica aparece claramente na Sagrada Família: José fez como o anjo do Senhor lhe ordenou: “acolheu Maria como sua esposa(Mt 1, 24)); “Filho, por quê procedeste assim conosco? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura ... Jesus voltou com seus pais para casa e era-lhes submisso.” (Lc 2, 48), e, “Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria?”(Mt 13, 55). Assim confirma o relatório final do Sínodo sobre a Família: “O Filho de Deus veio ao mundo numa família. Nos seus trinta anos de vida escondida em Nazaré – periferia social, religiosa e cultural do Império (cf.Jo 1,46) – Jesus viu em Maria e José a fidelidade vivida no amor. (2015, n. 41)

Mesmo que toda família passe por dificuldades, às vezes até se distanciando de um modelo de família adequada e ajustada, é missão da Igreja exortá-la e auxiliá-la para a superação das dificuldades e não perder de vista os princípios de comunhão e unidade. A Família de Nazaré também passou por dificuldades e as superou porque o amor que os unia e a vida interior alimentada por uma boa espiritualidade os ajudou a levar a missão até o fim. Cada casal recebe de Deus no sacramento do matrimônio graças especiais para a vida esponsal e familiar. É necessário, pois, se alimentar diariamente das graças que Deus concede a fim de construir uma família alicerçada sobre a rocha para que não se desmorone com o vento forte e a enxurrada (cf Mt 7, 25).

Possibilitados por amplo olhar sobre os relatórios de todas as nações acerca da família para o Sínodo da Família, os sinodais constataram: “O enfraquecimento da fé e da prática religiosa, nalgumas sociedades, afeta as famílias, deixando-as ainda mais sós com as suas dificuldades“ (Op cit, n, 43). Eis o grande desafio para as dioceses e paróquias!

Que a Sagrada Família cubra de bênçãos todas as famílias, de modo especial às mães neste mês de maio!                                         

Pe José Roberto Rosa, OCS