Postado em: 13/04/2015

A Vocação Religiosa Hoje
Sabe-se que nas Sagradas Escrituras não se encontram passagens claras sobre a origem da Vida Religiosa. Mas pode-se chegar a uma compreensão mais clara de seu percurso na história humana através da Tradição da Igreja.
Ao buscar um fundamento para explicar a Vida Religiosa, logo se percebe um modo de vida despojado, de homens que desejavam fazer uma experiência de vida mais profunda com Cristo, através da vivência radical ao seu seguimento. Esses homens eram chamados de “Padres do Deserto”, conhecidos, também, como “Anacoretas” (Pessoas que levam vida solitária), os quais queriam fugir do mundo agitado pelas tantas inquietações da alma e do corpo em busca de uma espiritualidade fundada na contemplação, na fraternidade e no despojamento total das coisas mundanas, com o intuito de atingirem algo diferente, do que o simples pragmatismo do mundo pudesse oferecer-lhes.
Porém, no mundo de hoje, esse modo de ser religioso mudou significativamente. Não se observam mais os religiosos tão somente pela ótica da vida contemplativa, mas também pelo prisma da vida pastoral ativa, onde, através da oração e da ação, o homem procura dar uma resposta mais concreta ao chamamento de Deus, procurando estar em contato com o povo nos diversos setores da sociedade, levando, sobretudo, aos mais desprivilegiados a semente da Palavra de Deus. Essa postura modificou-se por diversos fatores, dentro dos quais podem estar as constantes alterações que ocorreram nos últimos séculos como, por exemplo, a tecnologia, que está cada vez mais rápida, e as grandes descobertas das ciências como a psicologia, a sociologia, a história.
Tudo isso fez com que a Igreja repensasse, no entanto, seus valores, seu modo de ser no mundo. Por isso, a Igreja teve de pensar que o modo de ser da Vida Consagrada não é o de fugir do mundo, propriamente dito, mas o de ir ao encontro do povo, principalmente daqueles que mais sofrem. Dentro desse contexto, poderíamos, no entanto, nos questionar: a Vida Religiosa tem algo diferente daquilo que o mundo oferece?
Penso que a Vida Religiosa, na atualidade, tem ganhado um novo sentido. Ela apresenta ao mundo um Cristo que está próximo do ser humano, nas suas multiculturas. Apesar das grandes transformações positivas da modernidade, parece-me que o essencial, o sentido verdadeiro da vida cristã, como o diálogo, o amor fraterno, a amizade dissolveram-se no mundo das relações interpessoais, ao passo que, o que ganha valor é a exaltação do poder, do prazer egoísta e do querer fazer o que se tem vontade, isto é, nada é mais perene.
É dentro desse contexto de perda de valores que a Vida Religiosa pode dar um novo sentido. Mesmo com as suas mudanças, frente ao mundo contemporâneo, ela continua apresentando o rosto fiel de um Cristo que nunca deixou de amar o ser humano. Assim, através dos Votos Religiosos ou Conselhos Evangélicos de Castidade, Pobreza e Obediência, o religioso continua sendo um sinal de esperança e de fé. Virtudes estas que ultrapassam toda a dimensão cognitiva, racional, fazendo presente uma nova realidade. Como diz Ratzinger sobre a fé: “Mas deve ser sempre um recebimento responsável, em que aquilo que se ouviu nunca se torna completamente propriedade minha e em nunca serei capaz de anular totalmente a vantagem que aquilo que recebi tem sobre mim. Mesmo assim é necessário que o meu objetivo seja assimilar cada vez mais aquilo que recebi, entregando-me a ele, que é maior do que eu”.   
Este é o novo itinerário dos Votos hoje, um ato tão profundo que apresenta a esperança do Reino de Deus dentro da realidade atual, na qual muitos estão voltados para o poder egoísta, pela verdade do que seja comprovável e mensurável. Alguns homens e mulheres acreditam firmemente em outra realidade. Estes, por sua vez, fazem uma doação total e completa da sua própria vida, em vista de algo transcendente da existência. Esse gesto, na vida prática, é uma doação concreta do amor ao próximo, pois amar a Jesus Cristo é uma íntima relação do cuidado com o meu semelhante, e é nisto que constitui a verdadeira causa do sentido de existência na Vida Religiosa, mesmo que muitos não a entendam, pois ela tem sua identidade flexível de diálogo com o mundo pós-moderno, fixando em cada mente e coração a identidade dos verdadeiros valores ensinados por Jesus Cristo.
Por fim, acredito que o perfil da Vida Religiosa hoje, em frente à modernidade, pode ser comparado com uma música de Milton Nascimento “Bola meia, Bola de gude”. A letra da referida canção fala de um “ser fiel” em meio às contradições do mundo e que acredita nos valores como “a amizade”, “a palavra”, “o respeito”, “o caráter”, “a bondade”, “a alegria” e “o amor”. O adulto é a humanidade que muitas vezes balança e não sabe que caminho seguir, que procura um sentido de vida. E quando esse adulto encontra-se com o menino dentro do seu coração não “aceita a sacanagem do mundo ser coisa normal”; e a sacanagem é o mundo moderno, que aceita com tranquilidade as contradições entre ricos e pobres.

Ir. Lucas Calbi, OCS

 
 
Postado em: 07/01/2013

O cansaço, os afazeres, a nossa razão, os nossos direitos, o comodismo e muitas outras coisas, podem ser um empecilho ao amor.
Se apesar de tudo amarmos indo além destas barreiras, mostraremos ao mundo o lado positivo da vida.
Quem passar ao nosso lado neste dia não verá o cansaço nem a dor, verá apenas o amor que queremos distribuir a todos.
Podemos olhar para a cruz e ver somente o sofrimento, mas podemos olhar melhor e descobrir que ali encontra-se o cume do amor.
Portanto, vale a pena sermos vigilantes no amor para com todos a cada instante do dia.

 

 

 

“As vezes quando passamos por momentos difíceis nos perguntamos onde está Deus, mas lembre-se, é durante a prova que o Professor fica em Silêncio.”

 

 

"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé.

Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar,

ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida,

que o mais importante é o decidir." (Cora Coralina)