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Vocação Dom de Deus

A famosa frase: “nada é por acaso” exprime bem o sentido do que é vocação, pois nada vem a existir por si mesmo. Tudo que existe participa de uma existência primeira, não criada que é a origem e a razão de tudo que vem a ser.
A vocação é uma relação de amor entre o criador e a criatura. Deus ao chamar a existência os seres racionais, os cria por amor e para amar, por isso vocação é o dom de Amar. Deus é amor e fora do amor nada é. Nisso consiste a unidade na trindade, só há um Deus e fora dele não há outro, por que Deus é amor.

Amor é Vida e vida é amor (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”) por isso uma pessoa realizada em sua vocação é uma pessoa cheia de vida e uma pessoa cheia de vida é uma pessoa que muito ama.

O pecado é a negação do amor, por isso leva a morte. Fora do amor não há vida, pois o egoísmo é na alma o que é o joio em meio ao trigo, um amor estéril, que não produz fruto, um falso amor. A pessoa egoísta está sempre insatisfeita, pois ela quer tudo menos o que pode saciá-la, o amor.

Amor é a doação de si, como Jesus vai dizer: “Se a semente cai na terra e não morre, não produz fruto”. Morrer aqui é permitir que nosso ser se realize, ou seja, é necessário que a imagem do filho de Adão (egoísta) que temos de nós, seja substituída pela imagem do filho de Deus que é amor.

A vocação é a realização do plano de Deus em nossas vidas. Não se trata de fazer tudo que se quer, mas ser de fato como fora criado (“Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”).  Assim como nosso criador somos livres para fazermos nossas escolhas. Escolhemos amar ou não e é isso que nos definirá, só há essas duas opções (o caminho da vida e o da morte). Uma vez que se escolhe amar é preciso que cada um busque descobrir como manifestará esse amor. Para isso é necessário discernir quais os carismas que possuímos para colocá-los a serviço do próximo.

Quando nos perguntamos por que viemos a esse mundo, podemos encontrar a resposta na profissão de Jesus: “O filho do homem veio ao mundo para servir e não para ser servido”. Isso diz respeito também a nós pois segundo ele, “o discípulo não é maior que o mestre”.

Reflitamos sobre as seguintes questões: Somos verdadeiramente felizes, quando temos todas nossas necessidades satisfeitas, ou quando somos capazes de amar incondicionalmente? Por que existem pessoas que mesmo possuindo tão pouco são felizes? Por que o jovem rico no evangelho partiu triste, enquanto os discípulos de Jesus que deixaram tudo eram alegres?

Finalizo essa reflexão com aquele famoso provérbio: Ninguém é tão pobre que não possa dar e tão rico que não possa receber.

Ir. Robson Rodrigues Mendes, ocs.