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"Abertura do centenário do Pe. Januário Baleeiro,Ocs".

O dia 15 de setembro data em que a Igreja celebra Nossa Senhora das Dores (em conformidade com a festividade da Exaltação da Santa Cruz, celebrada no dia anterior) é também um dia especial para a Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote, que recorda o dom da vida de seu fundador, o padre Januário Baleeiro de Jesus e Silva.

Tendo o Pe. Januário Baleeiro nascido em 1922, o presente ano marca o 99º ano de seu nascimento. Vivemos, portanto a abertura do ano jubilar centenário, especial momento para louvarmos a Deus pelo dom de sua existência, e pelo fecundo exercício de seu ministério sacerdotal, que além de si, que ofereceu à Igreja uma congregação religiosa que tem por carisma a oferta de seus membros a Cristo Sacerdote, vivenciando a oração e o cuidado aos padres e bispos necessitados.

Nascido no seio de uma família profundamente católica, o menino Januário ainda em tenra idade, iniciou a caminhada que o levaria a se tornar sacerdote. Aos nove anos de idade ingressava na Congregação dos Salesianos de Dom Bosco residindo em Jaboatão dos Guararapes, PE. A etapa da Filosofia cursou em Roma e da Teologia em Belém do Pará, onde fora ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Mário de Miranda Vilas Boas em dezembro de 1945. Na capital paraense tornou-se capelão na Base Aérea de Valdecãs e sentiu-se inspirado a fundar uma congregação que assistisse a padres e bispos em situações de problemas de saúde e  necessidades pastorais.

Ainda jovem, com apenas dez anos de sacerdócio, tendo encontrado acolhida no arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio Cabral, o Pe. Januário se lançou ao desafio da fundação, evento ocorrido no dia 25 de março de 1955 na cidade de Lagoa Santa, MG. Além da fundação Lagoa Santa testemunha outro grande evento da vida do Pe. Januário, a pintura da Sagrada Face ocorrida no ano de 1959.

Novos êxodos marcaram a vida de Pe. Januário, que residiu com os primeiros Oblatos em outras regiões de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Por fim, se instalou em Roseira, pequena cidade ao lado de Aparecida, na região do Vale do Paraíba. Transformada em cidade-sede dos Oblatos, Roseira acolhe o Mosteiro da Sagrada Face, joia arquitetônica que se tornou seu principal cartão postal.

A história revela outros feitos do Pe. Baleeiro, que na década de 60 se tornou Secretário dos Negócios da Educação e Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo governava a Congregação, que empreendia trabalhos missionários por diferentes regiões do país. No início da década de 90 Pe. Baleeiro seguiu para o Distrito Federal, onde junto à paróquia Nossa Senhora de Fátima, faleceu em 16 de maio de 1991. Seus restos mortais repousam na capela-mor do Mosteiro por ele fundado, junto à Face de Cristo que ele pintou e que atrai peregrinos de todo o Brasil e do exterior.

Ao recordarmos a vida de Pe. Januário Baleeiro neste especial momento em que seu centenário se aproxima, nos percebemos agradecidos pela obra que Deus pôde empreender através de seu sim. Foram quarenta e seis anos de profícuo exercício do ministério. Constantes andanças em prol de sua fundação, muitas pessoas instruídas na fé, um imenso amor à Igreja e a seus ministros e o cuidado e a oração a muitos deles. Recordar o fundador de uma família religiosa significa rever os próprios caminhos, renovar a fé e a confiança em Deus e assumir compromissos que visem o anúncio do Reino e o bem da Igreja.

Que vivamos com alegria e intensidade este período, colocando-nos na escola de Cristo e de um teu corajoso e audacioso seguidor!

Ir. Leonardo Vinícius Paulino, OCS.