A VOCAÇÃO DO IRMÃO OBLATO

Estamos vivendo o mês de agosto que é dedicado às vocações na Igreja, celebrando as várias formas de vocação ao serviço do Reino de Deus. E neste terceiro domingo, festejaremos o dom da vocação religiosa consagrada, Dia da Vida Religiosa. É um tempo muito rico de sentido religioso cristão para quem pretende traçar um projeto de vida de acordo com o chamado de Deus. Portanto, para a nossa reflexão tomarei como ponto de partida a Vocação Religiosa do Irmão Oblato de Cristo Sacerdote.

Assim como todas as vocações, a vocação religiosa do Irmão Oblato parte do seguinte princípio: Deus chama, e o candidato responde ao chamado; e desta resposta positiva, consequentemente, nasce a vocação, pois não há vocação religiosa sem um consentimento responsável por parte de quem é chamado. O “sim” é uma condição para que o chamamento de Deus seja concretizado, assim como Maria ao anúncio do Arcanjo Gabriel: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38).

Também na Carta aos Coríntios, São Paulo aconselha os cristãos de Corinto acerca das responsabilidades de quem deseja assumir uma vida séria diante de Deus e da Igreja. “O solteiro se preocupa com os assuntos do Senhor e procura agradar ao Senhor” (I Cor 7,32). É nesse sentido que nós Irmãos Oblatos fomos chamados, para cuidar das coisas de Deus, trabalhar para Deus, fazendo de nossa vida uma oferta agradável a Deus. Eis aqui o sentido da palavra “Oblato”: é aquele que se oferece, doando-se totalmente por uma causa maior, o Reino de Deus. Por isso é que fazemos os votos de Obediência, Castidade e Pobreza para melhor seguirmos a Jesus Cristo Sacerdote, livres e desapegados das coisas materiais deste mundo.

   

A vocação do Irmão Oblato, portanto, é de atuar de uma forma silenciosa, na simplicidade de coração em vários trabalhos pastorais, sobretudo no exercício do carisma oblaciano que é servir a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, na pessoa dos bispos e padres seculares necessitados de ajuda e assistência, seja com eles cooperando na evangelização, seja quando, pela enfermidade ou peso dos anos, precisarem de alguém que os assista cordialmente", contemplando neles a Face sofredora de Cristo". (Const. dos Oblatos, Cap. 1, art. 2°).

            Além de auxiliar os padres nas paróquias, o Irmão Oblato é também aquele que procura viver sua consagração na simplicidade e na alegria de sua vida cotidiana, desde os trabalhos mais humildes até aqueles mais complexos, bem como na assistência aos padres e bispos doentes, nas mais variadas atividades pastorais, nos afazeres domésticos, na catequese e nos campos de missão. Contudo, esses serviços devem fazer com que o "Oblato" desenvolva um amor sempre mais crescente e incondicional a Cristo, encontrando nele o motivo de sua existência oblaciana e de sua consagração religiosa. É como diz São Paulo aos coríntios: "Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Cor 10,31).

            O Irmão Oblato é chamado a ser um "Cireneu" de Jesus Cristo, ajudando-o, na pessoa dos bispos e sacerdotes, a suportar o peso da cruz de cada dia. Assim como dizia o nosso querido fundador, Pe. Januário Baleeiro de Jesus e Silva, OCS, o “Oblato deve ser como uma vela acesa que vai se consumindo aos poucos”.  E ao se consumir lentamente, ele é chamado a deixar de viver sua própria vida para viver a vida de Cristo que sofre, sobretudo na pessoa dos mais fracos e necessitados.

            Nesses 22 anos de vida religiosa oblaciana, Deus já me guiou por vários caminhos diferentes. Pude fazer a experiência de deixar-me guiar pelas veredas do Senhor. Posso dizer que durante esses anos transcorridos, aprendi muitos valores, conheci mundos que jamais imaginava conhecer; percorri estradas que nunca pensei que um dia pudesse percorrer; aprendi novas culturas; conheci pessoas diferentes, fiz novas amizades. Enfim, trilhar os caminhos de Deus, como consagrado, é deixar-se descobrir, dia a dia, a sua vontade santíssima a qual vai se manifestando nas pequenas coisas do cotidiano, nos pequenos atos e atitudes da caminhada vocacional. É como afirmava o venerável Pe. Rodolfo Komórek: “A santidade é composta de uma multidão de pequenos atos”. Por isso que a vocação deve ser renovada e alimentada todos os dias por meio da oração, da vida em comunidade e da escuta da Palavra de Deus.

            Para concluir esta breve reflexão, diria, portanto, que a vocação religiosa do Irmão Oblato é um dom de Deus concedido à Igreja para a santificação de si mesmo e para a promoção da glória do Reino dos Céus na terra. Que Nossa Senhora das Vitórias interceda por cada consagrado e lhe conceda a verdadeira alegria de pertencer ao número dos chamados a esse serviço de doação e entrega.

 

Por Ir. Miguel Damasceno Figueiredo, OCS.