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Mãe das Vitórias e a Vitória Final

Durante a história da formação de Israel, Deus fez com seu povo alianças e promessas, concedendo-lhe batalhas e vitórias. E frente às graças que Deus lhe concedeu, caminhava com eles a arca da aliança. Esta tinha a missão de portar as tábuas da lei, sinal da constituição do povo de Deus. Por natureza ela era revestida de ouro e madeira de acácia. Sua missão também era acompanhar o povo até a Terra Prometida. A arca de Deus sempre esteve no meio do povo, e Deus recebeu muitos louvores por meio dela, símbolo de Sua presença entre o povo (Ex, 25;16, Nm 4,5, Sl 4,16). Com a arca o povo conquistou Jericó (Js 6, 55), além de ter desempenhado um papel muito importante na travessia do Jordão (Josué 3,4).

Foi assim que Israel lutou, sob a assistência da face de Deus, para proteger seus filhos, conduzidos até onde Deus lhes havia preparado: para uma terra que corre leite e mel. Fazendo uma analogia, no decorrer da história da Igreja, Maria também acompanha as lutas e batalhas da Igreja. Assim como Maria percorreu e seguiu seu Filho no caminho redentor, assim também o assiste por meio de seu Corpo, que é a Igreja. Se Ela acompanhou o Cristo no caminho da cruz até o caminho da ressureição, da mesma forma o faz com a Igreja.

Esta Mulher é a Virgem das Vitórias, que sempre esteve na linha de frente, seguindo a Igreja nas perseguições, sobretudo em tempos de heresias. Ela recebeu a graça em função do Cristo, tornando-se Senhora das Vitórias e Mãe da Igreja Militante e Triunfante. Sabemos que, com Maria, Jesus é a porta das ovelhas para a salvação eterna, e Maria, a janela aberta que nos conduz à salvação. Sua presença é um convite a ver a face mais interna e mais profunda de Deus.

A Virgem das Vitórias, assim como a arca da aliança que caminhou com o povo de Deus, tem seu lugar dentro do templo e no coração dos que servem e marcham para a Eternidade. Mãe e mestra na obediência e na escuta da Palavra de Deus, Joia preciosa, testemunha ocular, mestra e teóloga, quem não gostaria de tê-la junto a si? Doce presença na escuta de Jesus; Rosa que perfuma toda a Igreja de Cristo, é um convite à santidade. É Mãe das Vitórias porque sempre fez a vontade do PAI. Assim serão seus filhos e discípulos, só serão vitoriosos se fizerem também a vontade de Deus, por meio do Filho. É como nos fala São Paulo: “se morremos com Cristo, temos fé que também com Ele viveremos” (Rm. 6,8), ou como fala seu Divino Filho: “Quem perseverar até o fim será salvo. (Mt. 24, 13) Toda vida de um discípulo é uma guerra contra o pecado pela santidade a serviço de Deus, e, ao tratar da vitória final, Deus, por meio da Igreja, mostra a Virgem Maria como modelo e ícone da Igreja. Como discípula verdadeira do Pai, modelo que Deus deseja encontrar naqueles que servem seu Filho, Caminho, Verdade e Vida.

Como serva do Senhor, Maria nos apresenta o Cristo como vitória para todos. O discípulo João, que conviveu com Maria e a teve consigo por muito tempo, a pedido de Jesus, descreve o apelo do próprio Senhor no Apocalipse, que diz: “mostra-te fiel até a morte e eu te darei a coroa da vida” (Ap. 2,10). Por ser fiel a Deus, João descreve Maria na glória, coroada de estrelas e revestida de sol, travando uma batalha com o velho dragão. Agora, diante dos nossos olhos, Maria é assunta, exaltada e glorificada pelos méritos de Cristo, como prefiguração daqueles que foram fiéis até o fim, que serão igualmente exaltados e coroados no céu.

É próprio do Senhor elevar os humildes, pois sua misericórdia se estende de geração em geração, ou como diz o salmista: “O Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes” (Sl. 14, 4). De todo modo, o Senhor Deus nos convida ao mistério da cruz e ressureição, ao discipulado e à evangelização, tendo como modelo Jesus Cristo, Servo e Senhor, Cordeiro e Pastor, Juiz na história do homem que caminha para a pátria celeste.

Queremos, pois, pelo sangue do cordeiro, dar testemunho por meio da palavra, seguir a Cristo pobre, casto e obediente, porque é por meio dele que obteremos a vitória final. E olhando para Cristo, poderemos dizer como São Paulo, em sua segunda carta a Timóteo: “Combati o bom combate, guardei a fé, está reservada a coroa da justiça”.  (2Tm 2,7)

Pe. Diogo Gouveia, Ocs.