O caminho do exterior ao interior: de vestir-se como Oblato a sentir-se e ser Oblato

Vestir o hábito oblaciano

O novo Oblato (noviço)

Ao receber o hábito oblaciano, o noviço veste-se como um padre diocesano (exceto o colarinho). Isso deve lhe servir para aprender o valor do sacerdócio e assim poder servir melhor no futuro. A cor branca demonstra que está a serviço; enquanto o preto lembra a nobreza, austeridade poder (autoridade), o branco denota simplicidade e serviço.
A batina romana cobre todo o corpo deixando à vista apenas a cabeça e os pés. Todos os Oblatos são como um só, agem e movem-se numa mesma direção, com um mesmo carisma. A individualidade (cabeça) continua a existir, mas coloca-se voluntaria e humildemente a serviço da comunidade Congregação/Igreja. A cabeça descoberta é a dignidade do religioso, pertence a Cristo, é sinal de Cristo; os pés mostram que debaixo da veste que iguala a todos há indivíduos diferentes, homens que se firmam ao chão como todos os outros, não são anjos (suspensos do chão).
Uma faixa circunda a cintura. Como na vida civil, no trabalho os cintos são apertados, a camisa abotoada e a gravata alinhada, as roupas não são frouxas. Assim o Oblato está sempre cingido, pronto a cumprir seu dever, a viver sua consagração. Por isso, nem sempre é fácil usá-la! Como quando chegamos em casa afrouxamos o cinto; como quem usa gravata, logo que termina o dever relaxa-a; como nossas roupas de dormir são largas. Soltar a faixa é dever cumprido ou falta de esperança de cumpri-lo. Tê-la apertada à cintura é estar em prontidão, disponível a servir à Congregação e à Igreja, quando e onde for chamado.
Vestidos como um padre diocesano, sintam-se os noviços como um padre diocesano, para que conhecendo suas dificuldades, saibam servir os que precisam, amar os que erram, cuidar dos que sofrem (cf. Hebreus 5,2).

Receber o escapulário

O Oblato jovem (juniorista)

Ao professar os primeiros votos (concluído o noviciado) os Oblatos recebem um escapulário para ser usado sobre a batina romana que receberam ao entrar no noviciado. Agora é um Oblato júnior(ista).
O Escapulário lhe diz, bem como a todos que o encontrarem, que está na ativa, a serviço. O que você pensa quando vê alguém de avental na cozinha, na oficina, ou numa festa? Está trabalhando, não é? Assim o juniorista Oblato. O escapulário que recebe é um avental de trabalho, mostra que está a serviço dos sacerdotes.
Imagine, lado a lado, um padre diocesano de batina e um oblato, de hábito, a seu lado: basicamente, vestem-se iguais, mas um está de avental; outra diferença, um tem autoridade (preto) o outro não, é simples (branco).

Receber a medalha

O Oblato adulto (perpétuo)

O jovem Oblato, depois de 3 ou 6 anos de serviço recebe sobre o escapulário, à altura do peito, a medalha da Sagrada Face. É como uma medalha de honra pelos serviços prestados e o sinal de sua consagração perpétua a serviço dos sacerdotes.
O que significa receber uma medalha na vida civil ou esportiva? Significa que tem mérito reconhecido, que provou diante de todos, por seu próprio esforço que pode vencer, que venceu. Assim, o Oblato que porta uma medalha sobre o peito mostra que é experimentado no serviço aos sacerdotes e foi reconhecido por seus irmãos (e por Deus).
Nenhum Oblato poderia receber esta medalha sobre o hábito se não passar por um trabalho concreto com os padres, de preferência os enfermos.  Duas coisas são necessárias para entregar a alguém esta medalha: o tempo e o serviço; nem só o tempo, nem só o serviço;

A identificação

do hábito (talar) ao hábito(oblaciano)

Mas o aspecto externo de nossa vida não é o hábito talar, mas a vida e o trabalho a serviço da Congregação e da Igreja. Por isso, não é mais tão importante apresentar-se publicamente de hábito, salvo em ocasiões especiais, mas é necessário apresentar-se sempre honrando os sinais recebidos diante d’Aquele que nos fez merecer tal honra.
Um Oblato não deve preocupar-se tanto em apresentar-se de hábito diante dos leigos ou na vida pública, mas sempre deve usá-lo nas orações junto a seus irmãos, nos momentos de recolhimento, retiro, mesmo individuais. É ao Senhor que devemos esta honra, não aos homens. Os atletas não andam pelas ruas com suas medalhas dependuradas no pescoço, nem os militares com sua farda de gala, mas as usam nos momentos mais importantes, e as têm sempre em lugar especial e em grande estima.
Os Oblatos consagram sua vida a Deus para servir de uma maneira muito específica: dedicando-se aos padres e bispos. A Congregação é o meio e o amparo para aqueles que assim querem se consagrar. Premia os que lutam, exorta os que desanimam, a todos alimenta, de todos cuida.
Vejo como as pessoas que trabalham se dedicam! Boa parte de suas vidas está lá! Quando dão presentes, não raro dão coisas de onde trabalham, defendem a imagem da empresa e usam seus adereços; convidam amigos e parentes para comprar lá ou conhecer. Dedicam-se com afinco aos objetivos da empresa. Creio que os melhores funcionários de uma empresa são os que gostam de onde trabalham e se dedicam mais. A Vida Religiosa não tem algo em comum? Quando entro em uma loja vejo tudo limpo, bem organizado e logo vem alguém sorridente, dando-me toda atenção, o que penso? Que alguém se preocupou em arrumar o lugar, em treinar o pessoal, em ter ali o que eu procuro. Pergunto-me: quando alguém vai à minha casa encontra tudo organizado? Encontra alguém que o atenda? Encontra o que procura? Falo com entusiasmo da Congregação? Deixo sinais dela por onde passo?
Boa reflexão!

Pe. Samuel José de Carvalho, OCS
meditações durante o retiro espiritual de 2011.