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        São José, o homem humilde que aceitou a missão de ser pai do filho de Deus

São Mateus inicia o seu Evangelho apresentando “a origem de Jesus, filho de Davi, filho de Abraão” (MT 1,1). Ao fim dessa genealogia, o Evangelista afirma; “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (MT 1,16). Com estas palavras ele disse claramente que José não foi pai de Jesus na ordem humana, biológica. Para reafirmar esta verdade, continuou mostrando que a concepção humana de Jesus, foi obra do Espírito Santo: “José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente pensou em despedi-la em segredo” (MT 1,20) e continuou: “Mas, apareceu-lhe um anjo em sonho (MT 1,20) e revelou-lhe o grande mistério da encarnação do verbo no seio imaculado de Maria.

Deste mistério, José tomaria parte, não como mero assistente, mas deveria dar ao filho de Deus e filho de Maria, o nome de Jesus, pois ele haveria de salvar a humanidade de seus pecados. Para a tradição do povo de Israel, competia ao “pai legítimo” (segundo a lei), dar o nome ao filho, como reconhecimento de sua paternidade-filiação legais. São José, logo após Maria Santíssima, é o maior de todos os santos, enriquecido das mais elevadas virtudes e dons particulares para o desempenho dessa paternidade, pois haveria de proteger o Deus-menino de todas as adversidades, perseguições, exilio, etc.

Iria ser, de certo modo, “a sombra do Altíssimo” ocultando, na modesta e pobre casa de Nazaré, a grandeza da divindade do filho do Altíssimo, que, no decorrer da vida oculta de Jesus, era considerado “o filho do carpinteiro” (MT 13, 55). Portanto, José, não só foi o pai de Jesus de acordo com a lei de Israel, mas foi o “escolhido pelo Pai”, para ser o pai terrestre de seu filho unigênito. Essa paternidade. José a exerceu com todo amor e com perene adoração a este seu filho, que era o seu Deus.

À medida em que Jesus crescia “em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens (Cf. Lc 2, 52), foi recebendo de José todas as orientações para a sua vida humana, ao passo que Ele revelava a seu pai o amor misericordioso do seu Pai celeste.  Também, revelou-lhe tudo o que haver-lhe-ia de acontecer, para a redenção da humanidade, conforme os profetas já haviam pré-anunciado. Isto, certamente, fez com que José tivesse o seu coração inflamado de amor ao Pai misericordioso e, ao mesmo tempo, traspassado de dor, ante o mistério da redenção que se aproximava. Esta dor foi minando-lhe o coração, até o momento em que “teve a sua paixão e morte”, antes do grande instante em que Jesus fosse “glorificado” na cruz. (Cf. Jo 17,1).

Por: Pe. Geraldo Sampaio,Ocs.