Queridos Irmãos Oblatos de Cristo Sacerdote!

Espiritualidade capitular: "Ad Jesum per Mariam!


     Neste rico período litúrgico pascal, onde nos é dado vivenciar e experimentar a essência, isto é, o coração, o cerne e o ponto culminante da nossa fé - a Ressurreição de Jesus - devemos, antes de mais nada, agradecer o dom da "Vida em abundância" que o ressuscitado nos trouxe. É um período único e particularmente propício para meditar e levantar as mãos par os céus porque Deus nos ama e conta conosco não obstante as nossas inúmeras fragilidades e limitações. Assim diz um provérbio árabe: "A gratidão é a memória do coração"!

     A palavra "Aleluia", 'vem das palavras hebraicas: "hallel" (= louvai) + "jah" (= Javé), que formam a palavra "halleluyah" e quer dizer "louvai a Javé" ( louvai a Deus, louvai ao Senhor). Na Bíblia hebraica aparece somente nos Salmos 104-106, 111-113; 115-117; 135; 146-150. Na Setenta e na Vulgata, não é traduzida, mas simplesmente transliterada, quer dizer, "halleluyah" passa a ser "alleluia". Provavelmente era usada como uma aclamação litúrgica, geralmente colocada no início ou no fim de alguns Salmos. Aparece também em Tb 13,22; 3Mc 7,13 e em Ap 19, 1-6'.**

     Se quiséssemos resumir toda a História da Salvação assim poderíamos concluir: um Deus que ama, um Deus que salva e um Deus que nos quer, todos, acanto a Ele.

     Na primeira Criação, onde Deus fez tudo com suma sabedoria, com perfeição e tudo na mais perfeita harmonia, já deixa expresso e revela quem Ele é: um Deus unidade, um Deus amor e um Deus comunhão. Não contou com a ajuda ou participação humana. Tudo fez em virtude de seu próprio poder e vontade.

     Na segunda Criação, aquela que exatamente tem início com a sua ressurreição, ela não se concretiza e não se torna realidade, sem a participação humana. Um grande exemplo o encontramos na pessoa de Maria, a mãe de Jesus. Seu "Sim" foi de suma importância para o plano de Deus e para toda humanidade. Com o não de uma mulher entrou o pecado e a morte no mundo com todas as suas conseqüências. Com o sim de outra mulher entrou a graça, a vida e, consequentemente, a nossa vitória.

     Para nós, Oblatos de Cristo Sacerdote, dentro deste ano capitular, buscando uma maior solidificação e uma maior interiorização em relação ao nosso carisma e a nossa missão na Igreja e no mundo, certamente podemos dizer,com grande alegria, "Aleluia" por tudo que a nossa Congregação já conseguiu realizar nestes 63 anos de história oblaciana. Contudo, certamente precisamos nos re-examinar e refletir com muita sinceridade e honestidade, sobre o nosso verdadeiro papel a ser vivido e assumido com muito amor segundo o que nos é proposto pelo carisma oblaciano. Sem dúvida alguma, o nosso carisma é uma forma perfeita de viver cada dia a nossa consagração e a nossa ressurreição. A ressurreição de Cristo é exatamente o fruto de seu amor,  de sua doação, de sua entrega e do seu serviço expresso no "Lava-pés"da Quinta-feira Santa.

     Tomando como ponto referencial o Evangelho do domingo de Páscoa deste ano litúrgico, encontramos duas atitudes diante do fato da ressurreição: a atitude de Pedro e a atitude de João, o discípulo amado ou predileto de Jesus, segundo a narrativa evangélica.

     Pedro é, e representa também hoje, aquele "discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la (ressurreição) porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, ser geradores de vida nova. Ele desempenha um papel estranho e infeliz: é o papel de um discípulo que continua a não sintonizar com Jesus e com a sua lógica. No entanto, ele é, apenas, o paradigma de uma figura de discípulo que conhecemos bem: o discípulo que tem dificuldade em perceber Jesus e os seus valores, pois está habituado a funcionar de acordo com outros valores e padrões – os valores e padrões dos homens. A lógica humana ensina-nos que o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a doação e a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena, êxito profissional ou social".**

     Quanto a João, encontramos a figura do discípulo ideal, que ama Jesus, não vacila diante da novidade apresentada pelo Mestre e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta. Ele é o "discípulo que vive em comunhão com Jesus, que se identifica com Jesus e com os seus valores, que interiorizou e absorveu a lógica da entrega incondicional, do dom da vida, do amor total. Modelo do verdadeiro discípulo, ele convida-nos à identificação com Jesus, à escuta atenta e comprometida dos valores de Jesus, ao seguimento de Jesus. Propõe-nos uma renúncia firme a esquemas de egoísmo, de injustiça, de orgulho, de prepotência e a realizar gestos que sejam sinais do amor, da bondade, da misericórdia e da ternura".**

     Vivenciando este ano capitular, é o momento propício para deixarmos de lado a segurança, a estabilidade e a lógica humana e procurarmos pensar, entender e ver mais com o coração. "O discípulo predileto "viu e creu". O amor é o princípio da fé, que dá a vida. Exatamente por isso, o discípulo amado é o protótipo daqueles que creem sem ver. A fé na ressurreição nos faz viver a vida nova, com amor e esperança. Esta fé nos ajuda a correr em meio às nossas noites escuras à procura de Jesus que é a luz verdadeira".** O Papa Francisco, um modelo vivo para a Igreja de hoje, reconhece que mesmo em meio às graves dificuldades "é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta, mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias" (EG 6).

     A todos, uma ótima preparação capitular e uma ótima Páscoa!!

Pe Sebastião César Moreira, OCS

Referência Bibliográfica:

1. O Pão Nosso De Cada Dia. Subsídio Litúrgico-catequético diário, Ano XIII - N* 148 e 149, Ano B (São Marcos), Ano do Laicato, Marialva - PR, 2018.

2. Domingo de Páscoa - Ano B - Dehonianos, liturgiadiariacomentada2.blogspot.com.br