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SÃO JOSÉ, PAI TERRENO DE JESUS

Graças à paternidade de José, Jesus entra  na  genealogia e descendência de Davi. José garante e assegura a Jesus o título de filho de Davi. É filho de Davi porque é filho de José. A paternidade de José é graça de Deus, mas, humanamente falando, José é  pai terreno de Jesus, a partir do seu casamento  jurídico, legal, humano com Maria. José depende  do matrimônio com Maria, para ser pai de Jesus.  Maria chama José de “pai de Jesus” (Lc 2,48).


Como sabemos, José   é esposo virginal e pai jurídico de Jesus, que  foi gerado pelo Espírito Santo.

José é chamado por Deus para servir a pessoa e a missão de Jesus, mediante  a paternidade a serviço da encarnação e da missão redentora de Jesus.  José é pai terreno de Jesus  e, ao mesmo tempo, “ministro da salvação”.

Era dever religioso de um pai judeu: realizar a circuncisão (Lc 1,21), sinal da Aliança; dar o nome ao filho; pagar o resgate  do filho primogênito; registrar o filho; garantir o sustento e a educação.

José registrou Jesus no Império, dando a Jesus o estado civil, a  cidadania,  a pertença ao gênero humano, a dignidade de cidadão do mundo sujeito às  leis, portanto, homem entre os homens.

José deu a Jesus o estado civil, a categoria social, a condição econômica, a experiência profissional, o ambiente familiar, a educação humana, o testemunho da fé.  José  nutriu, vestiu, educou, defendeu, criou Jesus. José amou Jesus como Filho de Deus e como seu filho terreno. Era amado por Jesus, com amor filial em altíssimo grau. Nenhum outro santo foi tão unido a Jesus como José, porque é seu pai.  José é personificação de Deus Pai na terra.

José acompanhou o nascimento, a infância, a adolescência e a juventude de Jesus.  Ensinou Jesus a engatinhar, a andar, tomava-o nos braços, apertava-o no coração e erguia-o até o seu rosto, segurava-o pela mão, inclinava-se para o alimentar, levantar e proteger.  Participava com Maria e Jesus na sinagoga. Rezavam juntos os salmos, liam as Escrituras.

José passa por angústias sobre a gravidez de Maria, a falta de lugar na hospedaria de Belém, a fuga para o Egito, a perda de Jesus no templo. Foi repleto, porém, do dom da fortaleza que vem do Espírito Santo. Na escola de José, em Nazaré, Jesus aprendeu a fazer a vontade do Pai.

José repassou para Jesus a figura paterna positiva, madura, viril, equilibrada, afetiva. “Pai amoroso, filho maravilhoso. José ao lado de Maria, José presente na vida de família;  José  religioso, orante, homem de fé; José operário, corajoso, forte, ajudou Jesus a experimentar “o complexo paterno positivo”. Não faltou a Jesus  o colo, o trabalho, a oração, a segurança, a coragem, os valores.

São José tem o perfil do pai e  do esposo positivo, a saber: é líder, é afetuoso, é provedor, é mestre, é trabalhador; é orante, religioso, místico.  Segundo o Papa Francisco, três palavras sintetizam a pessoa e a missão do pai: “doçura, proximidade e firmeza”. Assim foi o pai terreno de Jesus, São José. As pessoas e a Igreja continuam tendo a necessidade da paternidade de São José.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Aparecida