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Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, nossa companheira e guia na missão

Teresa nasceu em 2 de janeiro de 1873 em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. É a última filha de Luís Martin e Maria Zélia Guérin, esposos e pais exemplares, beatificados conjuntamente em 19 de outubro de 2008 e canonizados no dia 18 de outubro de 2015. Tiveram nove filhos; desses, quatro morreram em tenra idade. Restaram cinco filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, aos quatro anos, é profundamente ferida pela morte da mãe. O pai, com as filhas, transfere-se então para a cidade de Lisieux, onde se desenvolverá toda a vida da Santa. Mais tarde, Teresa, atingida por uma grave doença nervosa, é curada por uma graça divina, que ela mesma define como o “sorriso de Nossa Senhora”. Recebeu depois a Primeira Comunhão, intensamente vivida, e colocou Jesus Eucaristia ao centro da sua existência.

A “Graça de Natal” de 1886 assinala a grande reviravolta, por ela chamada de sua “completa conversão”. É curada, de fato, totalmente da sua hipersensibilidade infantil e inicia uma “jornada de gigante”. Com 14 anos, Teresa se aproxima sempre mais, com grande fé, a Jesus Crucificado, e carrega no coração o caso, aparentemente sem esperanças, de um criminoso condenado à morte e impenitente.

“Desejei a todo custo impedir-lhe de cair no inferno”, escreve a Santa, com a certeza de que a sua oração o teria colocado em contato com o Sangue redentor de Jesus. É a sua primeira e fundamental experiência de maternidade espiritual: “Tanta confiança tenho na Misericórdia Infinita de Jesus”, escreve. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera com “um coração de mãe”.

Um ano depois, o seu desejo se realiza: torna-se Carmelita, “para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes”. Contemporaneamente, inicia também o adoecimento de seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação do Rosto de Jesus na sua Paixão. Assim, o seu nome de Religiosa, Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face.

A sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, em 8 de setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimônio espiritual na “pequenez” evangélica, caracterizada pelo símbolo da flor: “Que bela festa a Natividade de Maria para tornar-se esposa de Jesus! Para Teresa, ser religiosa significa ser esposa de Jesus e mãe das almas. No mesmo dia, a Santa escreve uma oração que indica toda a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu Amor infinito, de ser a menor, e sobretudo pede a salvação de todos os homens: “Que nenhuma alma seja condenada hoje”.
Dez anos depois da “Graça de Natal”, em 1896, vem a “Graça de Páscoa “, que abre o último período da vida de Teresa, com o início da sua paixão em união profunda à Paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença que a conduzirá à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da paixão da alma, com uma dolorosíssima prova da fé. Com Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heroica, como luz nas trevas que invadem sua alma. A Carmelita tem consciência de viver essa grande prova pela salvação de todos os ateus do mundo moderno, chamados por ela de “irmãos”. Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno: em relação às suas irmãs de comunidade, aos seus dois irmãos espirituais missionários, aos sacerdotes e a todos os homens, especialmente os mais afastados. Torna-se padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo. Ela dizia: “Compreendi que a igreja tinha um Coração, e que este coração ardia de Amor. Compreendi que só o Amor fazia os membros da igreja agirem, que se o Amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue...” Por isso, ela dizia: “No coração da Igreja, serei o amor”. Dizia sempre que o que conta é o amor, só o amor. É contemplar no outro a pessoa de Jesus. Para ela ser missionário não é uma questão de geografia e sim uma questão de amor.

Teresa morre na noite de 30 de setembro de 1897, pronunciando as simples palavras “Meu Deus, vos amo!”, olhando o Crucifixo que segurava nas mãos. Essas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O ato de amor, expresso no seu último suspiro, era como o contínuo respiro da sua alma, como o batimento do seu coração. As simples palavras “Jesus Te amo” estão ao centro de todos os seus escritos. O ato de amor a Jesus a mergulha na Santíssima Trindade. Ela escreve: “Ah, Tu o sabes, Divino Jesus, Te amo, O Espírito de Amor me inflama com o seu fogo, É amando-Te que eu cheguei ao Pai”.

Que Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face interceda por nós.

 

Irmão Carlos Régis de Oliveira Monteiro, ocs