O Santo Sudário de Turim, um mistério que perdura por séculos.

A palavra “Sudário” provém do Latim: Sudarium, lenço com que se enxugava o suor do rosto e pano que se cobria o rosto dos mortos; posteriormente, passou a designar o lençol para envolver cadáveres ou mortalha. O Sudário de Turim é um pano de linho retangular que mede 4,36m de comprimento e 1,10m de largura, no qual Jesus foi envolto após sua morte na cruz. Sua origem remonta, segundo a história e a tradição, ao século I, d.C. Para comprovar esta data, quando lemos as Sagradas Escrituras, nos deparamos com a passagem que narra a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.  Após a sua morte na cruz, José de Arimateia pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus. E eles pegaram o corpo e o envolveram com perfumes em faixas de linho (conf. Jo 19, 38-40).

 Apesar da natural repugnância própria a judeus, para os quais tudo o que toca a morte é considerado impuro, sobretudo um pano manchado de sangue, é impossível admitir que não tivessem recolhido com cuidado esta relíquia da Paixão do Homem-Deus e a guardado em lugar seguro.

Após numerosas peregrinações, por várias localidades, incluindo a Europa, durante os séculos, em 1452, essa relíquia foi parar nas mãos da família de Saboia. Pois alguém teria doado o Santo Sudário à Ana de Lusignan, esposa do duque de Saboia. Foi assim que chegou a Chambery, na França, e passou a ser propriedade da casa Saboia, que reinava na Itália. A história do Santo Sudário torna-se a partir daí bastante conhecida. O duque de Saboia mandou então construir uma Santa Capela em Chambery para nela expor a relíquia. Sucedem-se, portanto, as exposições e fazem-no passar por muitos testes para provarem sua autenticidade.

Se não bastassem a prova dos homens, irrompeu-se um Incêndio na Santa Capela, em 1532, que por pouco não destruiu a relíquia, mas causou-lhes várias manchas, queimaduras e furos. Por pouco a imagem não foi destruída. Após este acontecimento, o Sudário ainda peregrinou bastante, seguindo as vicissitudes políticas de seu proprietário, chegando finalmente, em 1578, a Turim, onde São Carlos Borromeu o venerou.

Porém, o Santo Sudário só passou a ser conhecido mundialmente a partir de 1898, quando o advogado e fotógrafo italiano, SECONDO PIA, conseguiu a permissão de fotografá-lo, pela primeira vez. Para sua surpresa, ele, na noite de 28 de maio daquele ano, em seu laboratório, deparou-se com as chapas fotográficas e ficou imensamente impressionado com o resultado de seu trabalho, pois as imagens do sudário não são tão nítidas vistas a olho nu, mas ao se revelarem as fotografias, estas vieram em positivo e bem mais nítidas, revelando a imagem de um homem cujas características são idênticas às de Jesus Cristo Crucificado, porém com mais riqueza de detalhes.

Desde então, inicia-se um grupo de estudos formado por cientistas de várias partes do mundo. Após muitas pesquisas realizadas no campo das ciências, bem como a Matemática, a Química, a Física, a Biologia, a Arqueologia, a Astrologia, a Anatomia, a Filosofia, a Teologia, a Antropologia, a Exegese Bíblica, entre outras, alguns afirmam que, pelas características da imagem do Sudário, percebe-se que o mesmo foi iluminado de dentro para fora, deixando transparecer que, no momento da Ressurreição, uma “luz saiu de dentro daquele corpo, passando da matéria física para a forma espiritual”.

Para reforçar ainda mais esta hipótese, sabemos que antigamente para se obter uma fotografia era necessário que se houvesse a presença de luz (flash). Hoje, com os novos recursos tecnológicos, sobretudo com as fotografias digitais, o flash ficou praticamente inutilizado, salvos os casos em que se pretende conseguir uma imagem com mais qualidade. Por isso, segundo os estudos, na “escuridão do sepulcro”, uma luz fortíssima ter-se-ia irradiado de dentro do corpo de Jesus, em outras palavras, o Sudário é “uma manifestação de luz”. Acontecimento este que se teria dado por meio de uma “explosão de energias”, deixando impressa no lençol as imagens dos sofrimentos de Jesus, semelhantes a uma imagem feita por irradiação.

Nenhum artista da época e nem dos nossos tempos conseguiu reproduzir uma imagem semelhante como a do Sudário de Turim. Muitos se aventuraram nesta trajetória, mas os resultados eram sempre frustrantes. Surge, portanto, a pergunta: como um artista conseguiria pintar uma imagem que, ao se aproximar dela, nem ele mesmo consegue enxergá-la? Pois quanto mais alguém se distancia dessa imagem tanto mais nitidamente se consegue observá-la. E quanto mais perto alguém se aproxima dela tanto menos se consegue perceber os detalhes da mesma. Fenômeno este que descarta qualquer possibilidade de fraude, e que o Santo Sudário não é uma pintura feita por artistas ou qualquer obra realizada por mão humana.

Foi a partir dessas imagens obtidas por esse inexplicável fenômeno que o médico e anatomista, Pierre Barbet, baseou seus estudos anatômicos, narrados em “A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião”. Passemos, portanto, para a análise de alguns pontos sobre a Paixão e Morte de Jesus, segundo o estudo do Santo Sudário do autor acima mencionado.

Flagelação de Jesus (Flagrum)
Os chicotes dos soldados (flagrum) romanos eram compostos geralmente de duas a três tiras de couro em cujas extremidades eram colocadas duas bolinhas de chumbo ou dois ossinhos, que causavam ferimentos profundos na pele do flagelado, chegando ao ponto de dilacerá-la terrivelmente. Segundo a lei judaica, o condenado, ao ser flagelado, deveria receber 39 golpes de chicote, cuja contagem era feita por 40 golpes menos 1. Porém, como Jesus foi condenado pela lei romana, essa horrível flagelação ultrapassou os limites previstos na lei judaica. Para comprovar o fato, basta olhar as imagens dos ferimentos deixados pelas torturas, que vão desde a região lombar até a região posterior das pernas. Ao todo, foram contados cerca de 60 golpes, aproximadamente.

Coroação de espinhos
Outro detalhe interessante que nos revela o Sudário de Turim são as imagens dos sinais da coroação de espinhos. Sobre este aspecto, a iconografia cristã apresenta a coroa de espinhos de Jesus quase sempre em forma de anel. Porém, por meio dos estudos do Sudário, Pierre Barbet afirma que Jesus não recebeu apenas uma coroa de espinhos, mas sim um “capacete” entrelaçado de agudos espinhos que lhe foi barbaramente cravado sobre a cabeça, causando-lhe dores atrozes e abundante sangramento na região capilar. Prova disso, é a imagem arredondada que é vista bem no topo da parte dorsal do Sudário, que envolve totalmente o couro cabeludo de Jesus.

O transporte da Cruz
Através da iconografia cristã, representada pelos mais variados artistas ao longo da história da Arte Sacra, sabe-se que Jesus carregou a cruz inteira, formada pela haste vertical e a horizontal. Mas ao observar as imagens, sob o ponto de vista de Pierre Barbet, Jesus não carregou a cruz inteira até o local da crucifixão, pois era costume da época que o condenado levasse apenas a parte transversal da cruz (patíbulo), e este pesava em torno de 50kg, ao qual ele era amarrado e obrigado a caminhar durante o percurso do Calvário.  Para comprovar este fato, as imagens das esfoladuras vistas no Sudário, na região dos ombros, revelam que ele carregou somente esta haste horizontal, pois no local da execução já se encontrava fincada a outra parte da cruz, a haste vertical (Stipes crucis). Outro dado curioso que chama a atenção para o ocorrido são as imagens dos ferimentos da região nasal e dos joelhos, pois Pierre Barbet afirma que, ao sofrer as duras quedas, Jesus não tinha como se apoiar, daí a explicação das duras quedas sofridas diretamente com o rosto e os joelhos no chão, causando-lhe esfoladuras e ferimentos terríveis. Por isso os soldados obrigaram o Cireneu a levar a cruz de Jesus (o patíbulo) pois queriam que Ele chegasse vivo ao local da crucifixão.

Chagas das mãos
Sabemos que a iconografia cristã costuma colocar os cravos nas palmas das mãos do crucificado. Porém, segundo os estudos e testes feitos por Pierre Barbet, Jesus recebeu os cravos no punho, na região do carpo. Fazendo testes em laboratório, chegou-se à conclusão de que a palma da mão não é o lugar mais indicado para se pregar o condenado na cruz, pois elas não suportariam o peso do corpo e rasgariam com facilidade. Prova disso, é a imagem observada na região do pulso de Jesus. Pois os soldados romanos eram peritos nessa terrível arte de crucificação, estudando os pontos mais resistentes do corpo humano.

Chaga do coração
Observando a imagem do Sudário, percebe-se uma mancha branca localizada do lado direito, causada pelo golpe de lança que lhe foi deferida por um dos soldados para certificar-se de sua morte na cruz.  Pois lemos nas Sagradas Escrituras que era costume quebrar as pernas dos condenados para acelerar sua morte. Jesus morreu antes dos outros dois crucificados. Morreu antes devido aos espancamentos (flagelação) terríveis, da desidratação, do stress e do jejum a que foi submetido. O dia da sua morte era um dia muito importante para a religião judaica: “era dia de preparativos para a Páscoa.” Um fato curioso é que esta chaga do coração aparece inversamente na fac-símile da chapa fotográfica, evidenciando, portanto, que o golpe da lança atingiu-lhe o lado esquerdo.

Outros detalhes
Além de muitos outros estudos realizados, foram encontrados vários vestígios de pólens de flores típicas da região onde Jesus foi crucificado. Foram encontrados também pólens de lugares por onde teria peregrinado o Sudário durante os séculos. Ao todo foram identificados 58 tipos de plantas, entre as quais algumas já foram extintas, comprovando seu itinerário e sua origem histórica.

            Realizaram-se testes através do carbono 14, cujo objetivo era retratar a idade do tecido do Sudário. Os resultados foram surpreendentes e afirmaram que o tecido foi fabricado na Idade Média. Contudo, outros cientistas derrubaram a tese, dizendo que a parte onde se coletaram as amostras, era uma região não confiável, ou seja, na borda do tecido. Isto se deve ao fato de o Sudário ter passado por vários lugares e ter sido manipulado por muita gente, por isso as amostras recolhidas não podem classificar a idade do tecido.

            Outro fato que desperta a curiosidade dos estudiosos é o sangue humano encontrado praticamente ao longo de todo o sudário, sobretudo na região da chaga do coração, que indica o grupo sanguíneo como AB, sangue raro e encontrado em judeus. Segundo as análises, é o mesmo tipo sanguíneo encontrado no “Milagre Eucarístico de Lanciano”, na Itália.
 
Conclusão
Após essa breve exposição a respeito do Santo Sudário de Turim, permanece a pergunta: esse lençol foi realmente o pano que envolveu o corpo Santíssimo de Jesus no sepulcro? Para responder a esta questão, cabe a cada um de nós fazer uma leitura a partir do Evangelho de Jesus Cristo. Pois ao estudar o Sudário, pode-se perceber que tudo aquilo que os evangelistas narraram sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, encontra-se estampado nas imagens do Sudário de Turim, porém com uma riqueza maior de detalhes que a Bíblia não nos traz. São João Paulo II disse, na ocasião de sua visita a Turim, que o Santo Sudário é o “Quinto Evangelho escrito”. Em outras palavras, o Sudário é a revelação da Paixão, Morte e Ressurreição do Homem-Deus.

            Não é pecado não acreditar nessa relíquia da Igreja, mas também não nos diminui em nada de poder prestar a ela o nosso culto de veneração e respeito, pois ainda hoje permanece o mistério sobre essa preciosa relíquia e muitas perguntas continuam despertando e estimulando a curiosidade de vários cientistas e leigos. Para tais questionamentos não temos respostas prontas, mas é preciso que acreditemos e nos contentemos com as palavras do próprio Jesus: “Eis que estarei convosco até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).

 

A Sagrada Face Brasileira e a Sagrada Face do Sudário

Para quem visita a nossa Casa Geral em Roseira, SP, conhecida popularmente como “Mosteiro da Sagrada Face”, na capela interior, conhecida como capela da Sagrada Face, localizada ao interno da capela Nossa Senhora das Vitórias, temos o quadro da Sagrada Face pintado pelo nosso fundador, Pe. Januário Baleeiro de Jesus e Silva, OCS. De ambos os lados do quadro da Sagrada Face, encontram-se igualmente dois quadros grandes do Santo Sudário de Turim, doados à nossa Congregação pelo Frei Anastácio, propagador da devoção do Santo Sudário. Não estão ali por acaso, o que faz com que os mesmos fossem postos ao lado da Sagrada Face são justamente as semelhanças encontradas entre a “Sagrada Face do Sudário” e a “Sagrada Face Brasileira”, revelada misteriosamente do outro lado do tecido.

Ao observar as duas “Faces”, percebem-se os traços idênticos dos sofrimentos de Jesus, estampados em sua Santa Face, barbaramente contundida e torturada. Embora ambas as faces são bastante marcadas com as torturas sofridas, elas transmitem, aos que a contemplam, uma paz envolvente e uma serenidade profunda. A Face do Sudário é o olhar de Jesus para quem se deixa contemplar por ela. Na Face Brasileira, Jesus aparece com os olhos fechados, para não enxergar os nossos pecados; e com os lábios entreabertos, para nos perdoar sempre, quando cairmos na infidelidade do pecado.

Que a Sagrada Face de Jesus resplandeça sobre cada um de nós e sobre nossas famílias, a fim de que saibamos contemplá-la nos rostos sofridos de nossos irmãos e irmãs, sobretudo nos mais pobres e marginalizados pela sociedade.
Sagrada Face de Jesus, tende piedade de nós!

Bibliografia: “A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião” de Pierre Barbet.
As Sagradas Escrituras
Ir. Miguel Damasceno Figueiredo, OCS.