Santuário Madona Della Lode - Vescovio - Itália
 

Missão: Santuário Madonna della Lode (Vescovio)

Santuario di Vescovio, Vocabolo Vescovio, Torri In Sabina, RI - CEP.:02049 – Torri in Sabina, RI – Tel.:+39 07 6560 8035

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:::Composição da Casa:::

Pe. Geraldo de Almeida Sampaio, OCS ////// Pe. Paulo César da Costa, OCS

 

 
História do Santuário

Nosso querido e inesquecível amigo e benfeitor, Cardeal Agnelo Rossi, insistiu com o nosso Fundador, Pe Januário Baleeiro de Jesus e Silva, OCS, para que enviasse um grupo de Oblatos á Itália, a fim de fazer cursos de especialização na Universidade Urbaniana, Universidade esta, sob a direção da Congregação para a Evangelização dos Povos, da qual D. Agnelo Rossi era Prefeito. Esta Universidade prepara missionários para o serviço nas missões. Assim, em 1981, fomos escolhidos para fazer nossos estudos e, um dia, podermos colaborar para a formação dos nossos futuros Sacerdotes. Éramos quatro: o Ir. José Carlos de Lima – ocs, Ir. Pedro Pacheco Garcez – ocs, o Ir. Antonio Alves de Carvalho – ocs e eu.

Os dois primeiros deveriam fazer o curso teológico e o Ir. Antonio Alves de Carvalho – ocs, a filosofia. Quanto a mim, deveria especializar-me em teologia dogmática, Infelizmente, somente eu, sem mérito algum de minha parte, mas por misericórdia do Senhor Deus, perseverei na Congregação e peço ao Bom Deus, todos os dias, o dom da perseverança.

Num dia de maio de 1984, o nosso amado Cardeal Agnelo Rossi fez-me uma bela surpresa: convidou-me para acompanhá-lo em visita a um Santuário de sua Diocese titular, de Sabina-Poggio Mirteto. Era o Santuário de Vescovio, consagrado à Nossa Senhora do Louvor (“Madonna della Lode”), situado a alguns quilômetros  de Poggio Mirteto e dentro do município de Torri in Sabina. Não obstante a sua importância histórico-religiosa, dizia-me o Cardeal Agnelo Rossi, o Santuário estava muito abandonado.

Á medida em que nos aproximávamos do belíssimo lugar, numa planície escondida entre montanhas, pudemos divisar a vetusta torre, que sobressaía entre as copas dos pçi8nheiros (pinus romanus, que se parecem um pouco com as araucárias do Paraná).

De fato, o Santuário estava bem abandonado e, mais ainda, a casa paroquial, que foi construída no século XVI. O pároco de Torri, Don Aldo Andreozzi, celebrava uma Santa Missa ali, aos domingos. D. Agnelo Rossi contou-me a história de Vescovio e desse venerando Santuário:

No século I da era cristã, havia ali uma próspera cidadezinha, lugar de mercado para toda a região. Por isso chamada de “Forum Novum”. Uma forte tradição reza que o Apóstolo São Pedro teria iniciado a evangelização desse lugar – e por que não dizer? – de toda a Sabina, vindo a Forum Novum a convite da família patronal dos Ursaci (já cristãos), família essa que tinha parentesco com a Casa imperial dos Aurélios (que vem mencionados como membros da comunidade cristã de Roma), chamados pelo Apóstolo Paulo de “irmãos na fé”. O Príncipe dos Apóstolos São Pedro teria celebrado a “Fractio Panis” no “triclinium” (sala de jantar) da casa Ursaci e, daquele momento em diante, essa casa tornou-se uma “Domus Ecclesia” (Casa Igreja), onde se reuniam os primeiros cristãos de Forum Novum. No século III, tendo sido martirizados três cristãos do lugar, Fábio, Basso e Máximo, seus corpos foram sepultados junto à Casa Ursaci que, por isso, foi ampliada, celebrando a memória desses mártires. Do século IV em diante, até o ano 1497.

Com o correr do tempo, foram desaparecendo as duas Forum Novum ficou com única sede de bispos da região, com isso, mudou-se o nome de Forum Novum para Episcopéion (Vescovio).

No século V, Vescovio foi invadida pelos longobardos que quase destruíram todo o lugar; porém alguns, tendo-se convertido ao cristianismo, tornaram-se protetores de Vescovio, como Raniero e Vidone, que foram representados (no século VII) na parte inferior do altar-mor. Em seguida, vieram os sarracenos, que destruíram completamente a cidade e deixaram o Santuário quase totalmente em ruínas (pouparam duas figuras de Nossa Senhora: uma, na parede da direita de quem entra e outra, no altar-mor do século VIII, pois os sarracenos, embora não aceitem Jesus Cristo como Deus, tem muito carinho para com Nossa Senhora, chamando-a de Virgem e Mãe). Por mais de um século, os Bispos de Vescovio refugiaram-se em Toffia e as relíquias dos mártires, transportadas pelos cristãos aos povoados circunvizinhos, não mais foram devolvidas ao Santuário. Tendo ido embora os sarracenos, os Bispos voltaram a residir em Vescovio. O Bispo Amedeo, com o auxílio de seu irmão, Conde de Borgonha, começou a reconstrução da Igreja e da Torre. Foi trazida a escola romana de Pietro Cavallini, para pintar os afrescos nas paredes da antiga Catedral, porém, não obstante a boa vontade do Bispo Amadeo e de seus sucessores, Vescovio não mais atingiu o seu antigo esplendor, surgiram novos centros urbanos nas circunvizinhanças e a população não quis mais voltar, provavelmente porque, por tanto tempo abandonada, a planície tornou-se coberta de pântanos e de focos de malária; houve até o empenho de construção de um mosteiro no cimo da colina adjacente, mas já no ano 1495 foi decidida a transferência da sede episcopal para Magliano Sabina. As pessoas que moravam nos arredores, gravaram, no arco de entrada do Santuário de Vescovio, a frase: “Ecclesia Cathedralis Sabinorum”. Em 1521, atendendo ao pedido do Cardeal Carjaval, o Papa Leão X restituiu a Vescovio o título de “Catedral”, atribuindo a Magliano Sabina o de “Co-catedral”.

Voltando aos afrescos, é opinião quase unânime entre os estudiosos que este conjunto pictórico seja do século XIII e se sente a influência do grande mestre Cavallini, mas realizado por alunos de sua escola. No entanto, essas pinturas são uma parte das que ornamentavam toda a Igreja.

De fato, ainda se podem ver vestígios de afrescos no arco triunfal, na base da nave e nas naves laterais, como na base da abside. O que ainda existe, foi descoberto em 1930, quando se fazia a restauração da Igreja. Tudo estava sob uma espessa camada de cal que, provavelmente em 1800 fora aplicado em defesa contra uma peste. Por isso, esses afrescos estão muito arranhados e, em alguns lugares, desaparecidos. Certamente as intempéries contínuas e a umidade destruíram essas jóias de arte.

Na capela lateral (á direita de quem entra no Santuário), há um grande Crucifixo, do ano de 1400, doado por Giovanni da Foliano ao Cardeal Isidoro. O frontal do sacrário é de mármore com data de 1500, Ano jubilar (pertencia a uma Igreja de Torri in Sabina, demolida no tempo da II Guerra Mundial); há, ali também, um altar pagão, transformado em pia batismal.

A devoção mariana em Vescovio remonta ao século VI. A Igreja teve vários títulos marianos: “Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima”, “Santa Maria Maggiore in Sabina” e, mais recentemente, “Paróquia S. Maria Assunta” e, “Madonna della Lode”. A figura de Nossa Senhora, além de uma “Bassilissa” (Imperatriz) da parede direita da nave, aparece no altar central (do século VIII) e nos afrescos da Escola Cavalliniana. Porém a imagem que chama atenção, é um ícone da abside, que substituiu um outro, de origem egípcia, que desapareceu no correr dos séculos. O ícone atual é possivelmente do século XV; é de madeira, com estuque colorido. Os “Madonnari” (pintores de imagens de Nossa Senhora) inspiraram-se no ícone “Salus Popoli Romani”, que é venerado na Basílica de Santa Maria Maior, porém deram características especiais para essa imagem: o rosto de Nossa Senhora é claro, como das mulheres sabinas; o seu manto não é escuro, mas banco, com romãs em flor (símbolo mariano, do Cântico dos Cânticos) e pequenas estrelas; o Menino Cristo Jesus, em vez de um livro, traz um pergaminho na mão esquerda e, no pergaminho, está um versículo do salmo 8: “Ex ore infanctium et lactentium perfecisti laudem” (da boca das criancinhas de peito, fizeste elevar-se um louvor), a atitude de bênção latina (tanto de Nossa Senhora como do Menino Jesus) é idêntica a da “Salus Popoli”. Em virtude deste Salmo, é que a Imagem de Nossa Senhora de Vescovio passou a ser conhecida como “Madonna della Lode” (Nossa Senhora do Louvor).
Bem, cheguemos a história atual:

O Cardeal D. Agnelo Rossi disse-me que escrevesse ao nosso Fundador e Superior Geral, Pe Januário Baleeiro de Jesus e Silva – ocs, dando as minhas impressões sobre Vescovio. Sem dúvida, tratou-se de um “amor à primeira vista”! No mesmo ano (1984) antes do Santo Natal, já estavam entre nós o Pe Crisanto Soares de Souza – ocs e o Ir Eduardo Maximiano Damasceno – ocs que, no início de 1985 tomaram posse da Paróquia-Santuário. Com o passar dos anos, vários outros Oblatos de Cristo Sacerdote passaram por Vescovio, deixando ali, sinais de sua generosidade no serviço de Deus. No ano de 1993, quando ali exerciam a sua ação pastoral o Pe Crisanto Soares de Souza – ocs e o Ir Joaquim Caetano Dias – ocs, PEDRO, na pessoa de João Paulo II, voltou a Vescovio. Foi o primeiro lugar de encontro do Santo Padre com a Igreja Sabina (como o fora o de São Pedro com o povo Sabino). À entrada do Santuário, a Prefeitura de Torri in Sabina afixou uma placa marmórea comemorativa, com os dizeres:

“No dia 19 de março de 1993, Festa de São José, Patrono dos Operários, acolhido com imensa alegria pelo povo do campo, o Papa João Paulo II visitava estes lugares banhados pelo sangue dos mártires, fortalecia a fé aqui anunciada pelo Apóstolo Pedro e se recolhia em oração diante da Imagem de Santa Maria do Louvor, nesta Antiga Catedral dos Sabinos”.
          Desde o início do novo milênio, houve um “despertar” da Diocese para o valor de Vescovio.         

Nós que, atualmente aqui estamos, procuramos dar testemunho de fidelidade à Igreja, à Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote, da qual temos a honra de ser membros, procurando proclamar a todos o mistério de Cristo Jesus, Morto e Ressuscitado e a devoção autêntica e filial à Santíssima Mãe de Deus e Nossa Mãe.

Pe. Geraldo de Almeida Sampaio, OCS.

Mapa da localização: